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Transtorno de Personalidade Borderline: o que dizem o DSM-5-TR e o CID-11


O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é uma condição de saúde mental marcada por instabilidade emocional intensa, dificuldade nos relacionamentos interpessoais, autoimagem fragilizada e comportamentos impulsivos. Nos últimos anos, tanto o DSM-5-TR (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, versão revisada em 2022) quanto o CID-11 (Classificação Internacional de Doenças, da Organização Mundial da Saúde) atualizaram suas descrições para refletir melhor a complexidade do transtorno.

Como o DSM-5-TR define o Transtorno de Personalidade Borderline

De acordo com o DSM-5-TR, o TPB é caracterizado por um padrão persistente de instabilidade nos relacionamentos, na autoimagem e nos afetos, além de impulsividade acentuada, que começa no início da vida adulta e aparece em diferentes contextos.

Para o diagnóstico, o indivíduo precisa apresentar pelo menos cinco dos seguintes critérios:




  1. Esforços desesperados para evitar abandono real ou imaginado.

  2. Padrão de relacionamentos interpessoais instáveis e intensos, alternando entre idealização e desvalorização.

  3. Perturbação de identidade: autoimagem instável ou sensação de vazio.

  4. Impulsividade em pelo menos duas áreas potencialmente prejudiciais (ex.: gastos, sexo, abuso de substâncias, direção perigosa).

  5. Comportamentos ou ameaças recorrentes de automutilação ou suicídio.

  6. Instabilidade afetiva acentuada, com mudanças bruscas de humor.

  7. Sentimentos crônicos de vazio.

  8. Raiva intensa ou dificuldade em controlar a raiva.

  9. Ideias paranoides transitórias ou sintomas dissociativos relacionados ao estresse.


O que diz o CID-11 sobre o TPB

O CID-11 (em vigor desde 2022) simplificou a classificação dos transtornos de personalidade. Ao contrário do CID-10, que listava tipos específicos de transtornos de personalidade (como borderline, narcisista, esquizoide, etc.), o CID-11 adota uma abordagem dimensional.

Nessa nova versão, o diagnóstico principal é Transtorno de Personalidade, classificado por grau de gravidade (leve, moderado ou grave). Além disso, podem ser adicionados qualificadores que especificam padrões de funcionamento predominantes.

O "padrão borderline" é um desses qualificadores e descreve pessoas que apresentam: instabilidade nos relacionamentos e na autoimagem; comportamentos impulsivos de risco; medo intenso de abandono; episódios de desregulação emocional; maior risco de autolesão e tentativas de suicídio.

Essa mudança no CID-11 permite um diagnóstico mais flexível e próximo da realidade clínica, valorizando a intensidade e o impacto dos sintomas na vida da pessoa.


Impactos na vida do paciente

O TPB afeta diversas áreas da vida como: relacionamentos: as conexões tendem a ser intensas, mas instáveis, gerando ciclos de aproximação e ruptura, trabalho e estudo: a impulsividade e as alterações emocionais podem prejudicar o desempenho e a continuidade em projetos, saúde mental: há alta associação com depressão, ansiedade, transtornos alimentares e abuso de substâncias, risco elevado de autolesão e suicídio: estima-se que até 10% das pessoas com TPB podem morrer por suicídio, o que reforça a necessidade de atenção especializada.


Tratamento e acolhimento

O tratamento do Transtorno de Personalidade Borderline envolve uma abordagem multidisciplinar. As estratégias mais eficazes incluem:

PsicoterapiaA Terapia Comportamental Dialética (DBT) é considerada padrão-ouro. Outras abordagens, como Terapia Focada em Esquemas , também têm eficácia comprovada. A avaliação psiquiátrica é fundamental, pois em muitos casos pode haver necessidade de medicação para manejo de sintomas associados, como depressão, ansiedade, impulsividade ou sintomas psicóticos transitórios. Embora não exista uma medicação específica para o TPB, o psiquiatra pode prescrever: estabilizadores de humor para ajudar na regulação emocional, antidepressivos em casos de comorbidades como depressão maior, ansiolíticos ou antipsicóticos em baixas doses, dependendo dos sintomas associados, a combinação de psicoterapia com acompanhamento psiquiátrico é a abordagem mais eficaz e segura, rede de apoio: o suporte familiar e social é fundamental para que o paciente se sinta acolhido, evitando estigma e reforçando a adesão ao tratamento.


Considerações finais

O Transtorno de Personalidade Borderline não deve ser visto como uma “sentença” ou rótulo negativo. Com os avanços trazidos pelo DSM-5-TR e pelo CID-11, a compreensão sobre o TPB ficou mais clara, permitindo diagnósticos mais precisos e tratamentos mais eficazes.

O caminho do cuidado passa pelo acolhimento, acompanhamento especializado e apoio contínuo, que ajudam o paciente a desenvolver maior estabilidade emocional e qualidade de vida.



cassianasilvapsicopedagoga

Sou Cassiana Silva, Psicopedagoga Clínica, Neuropsicóloga e Terapeuta Familiar, com mais de 13 anos de experiência dedicada ao cuidado e desenvolvimento de crianças, adolescentes e famílias.

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